14 de Abril de 2010
Pesquisador da UnB desenvolve tijolo produzido com papel
Produzido a partir de fibras de embalagem de cimento, resistente e mais econômico que os blocos comuns, o novo produto se mostra ambientalmente vantajoso
Silvia Pacheco - Correio Braziliense
Márcio Buson: "A técnica é simples. Pode ser utilizada, por exemplo, em construções populares"
Um dos materiais mais importantes nas construções, o tijolo, agora, pode ser feito de papel. É o que demonstra uma pesquisa realizada pelo professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (FAU/UnB) Márcio Buson. O especialista criou um bloco compactado feito a partir da mistura de terra com as fibras das embalagens de cimento, o papel kraft. “Basicamente, eu pego o solo e incorporo essas fibras para formar o composto. Depois, estabilizo com um pouco de cimento para melhorar as propriedades finais do material”, explica o professor.
Apelidado de kraftterra, o tijolo é apontado por pesquisadores da UnB como uma alternativa viável para a construção civil e uma boa maneira de reaproveitar os sacos de cimento, considerados altamente poluentes. “O saco de cimento é um resíduo que não é absorvido em nenhum processo de produção. Agregado à fabricação do kraftterra, ele é muito bem-vindo”, aponta Raquel Naves Blumenschein, professora da FAU/UnB e coordenadora do Laboratório do Ambiente Construído, Inclusão e Sustentabilidade (Lacis).
A fabricação do kraftterra é realizada a partir da reciclagem das embalagens de cimento e é composta por seis etapas (veja ao lado). Segundo o arquiteto, a grande característica das fibras do papel kraft, depois da reciclagem, é que elas são longas e, com isso, dão mais liga ao composto. “O material ligante faz com que a retração da terra depois da secagem do material diminua. Se a retração for grande, o tijolo trinca, e isso não é bom”, explica Buson.
Nos ensaios feitos em laboratório, durante o mestrado na Universidade de Aveiros, em Portugal, o professor da UnB realizou diversos testes para avaliar a resistência do kraftterra a impactos. O novo produto se mostrou vantajoso quando comparado ao tijolo comum — bloco de terra compactado (BTC), composto pela mistura de terra crua com cimento. “Observamos que o kraftterra melhora as propriedades físicas e mecânicas, tornando-se mais resistente à compressão, o que é importante para sustentar uma construção”, diz o pesquisador. Além da resistência, a produção do kraftterra traz economia. Na pesquisa, Buson conseguiu diminuir pela metade o uso de cimento para a fabricação dos blocos.
Outra performance de destaque no estudo foi a resistência do kraftterra em relação ao fogo. Os testes mostraram que as paredes de kraftterra, ao serem submetidas a calor constante de 200ºC, por duas horas, apresentaram variação de 60ºC, enquanto as de tijolo comum essa mudança foi de 70ºC. “Ficamos receosos quanto à resistência ao fogo, devido a presença da fibra de papel. No entanto, os valores apresentados qualificam o kraftterra como um material corta-fogo”, comenta Buson. “Os pesquisadores que acompanharam os testes em Portugal não conseguiam acreditar quando viram os resultados de resistência ao fogo do material”, completa.
Porém, nos testes de absorção de água, o produto apresentou cerca de 7,6% mais absorção que o tijolo comum. De acordo com Buson, esse aspecto torna a construção mais suscetível a infiltrações. A solução achada, então, foi a adição da seiva da babosa à composição. “A seiva diminuiu a absorção de água pelo material em 6%, em comparação ao tijolo de solo-cimento. Isso demonstra que a técnica é versátil, pois permite a modificação das características do material por meio da adição de outras substâncias”, observa.
Reciclagem
A maior vantagem do kraftterra, no entanto, tanto na opinião do autor do estudo como na de outros pesquisadores da UnB, é o fato de ele ajudar na preservação do meio ambiente. Isso porque evita que a embalagem de cimento seja jogada no lixo. “Não há um descarte correto para esses sacos, que acabam indo para aterros e lixões, comprometendo a qualidade do solo e da água e até obstruindo bueiros”, explica Raquel Blumenschein.
Buson relata que, em ensaios laboratoriais, foi capaz de reciclar 130 sacos de cimento em um tonel de 220l, num período de apenas 15 minutos. “Uma pequena casa de dois cômodos, com 50m², por exemplo, leva em torno de 15 mil tijolos. Na composição desses tijolos, estariam 15 mil sacos de cimento reciclados. Ou seja, menos 15 mil sacos jogados na natureza”, comemora.
A aplicação da técnica do kraftterra pode ser utilizada em vários outros métodos de composição de tijolos, como os blocos de terra compactado (BTC), os blocos de terra adensados, conhecidos como adobe, e a taipa de mão. “Além de barata, a técnica é simples. Pode ser utilizada, por exemplo, em construções populares”, afirma o especialista.
O professor da UnB ressalta que ainda é cedo para a utilização da tecnologia nas obras. O próximo passo é avaliar o comportamento do kraftterra em um canteiro experimental. “Seria irresponsável colocar o produto para a execução de obras. É preciso testá-lo primeiro em meio às intempéries do clima”, explica.
07 de Abril de 2010
Pesquisador da UnB desenvolve tijolo produzido com papel
Produzido a partir de fibras de embalagem de cimento, resistente e mais econômico que os blocos comuns, o novo produto se mostra ambientalmente vantajoso
Silvia Pacheco - Correio Braziliense
Márcio Buson: "A técnica é simples. Pode ser utilizada, por exemplo, em construções populares"
Um dos materiais mais importantes nas construções, o tijolo, agora, pode ser feito de papel. É o que demonstra uma pesquisa realizada pelo professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (FAU/UnB) Márcio Buson. O especialista criou um bloco compactado feito a partir da mistura de terra com as fibras das embalagens de cimento, o papel kraft. “Basicamente, eu pego o solo e incorporo essas fibras para formar o composto. Depois, estabilizo com um pouco de cimento para melhorar as propriedades finais do material”, explica o professor.
Apelidado de kraftterra, o tijolo é apontado por pesquisadores da UnB como uma alternativa viável para a construção civil e uma boa maneira de reaproveitar os sacos de cimento, considerados altamente poluentes. “O saco de cimento é um resíduo que não é absorvido em nenhum processo de produção. Agregado à fabricação do kraftterra, ele é muito bem-vindo”, aponta Raquel Naves Blumenschein, professora da FAU/UnB e coordenadora do Laboratório do Ambiente Construído, Inclusão e Sustentabilidade (Lacis).
A fabricação do kraftterra é realizada a partir da reciclagem das embalagens de cimento e é composta por seis etapas (veja ao lado). Segundo o arquiteto, a grande característica das fibras do papel kraft, depois da reciclagem, é que elas são longas e, com isso, dão mais liga ao composto. “O material ligante faz com que a retração da terra depois da secagem do material diminua. Se a retração for grande, o tijolo trinca, e isso não é bom”, explica Buson.
Nos ensaios feitos em laboratório, durante o mestrado na Universidade de Aveiros, em Portugal, o professor da UnB realizou diversos testes para avaliar a resistência do kraftterra a impactos. O novo produto se mostrou vantajoso quando comparado ao tijolo comum — bloco de terra compactado (BTC), composto pela mistura de terra crua com cimento. “Observamos que o kraftterra melhora as propriedades físicas e mecânicas, tornando-se mais resistente à compressão, o que é importante para sustentar uma construção”, diz o pesquisador. Além da resistência, a produção do kraftterra traz economia. Na pesquisa, Buson conseguiu diminuir pela metade o uso de cimento para a fabricação dos blocos.
Outra performance de destaque no estudo foi a resistência do kraftterra em relação ao fogo. Os testes mostraram que as paredes de kraftterra, ao serem submetidas a calor constante de 200ºC, por duas horas, apresentaram variação de 60ºC, enquanto as de tijolo comum essa mudança foi de 70ºC. “Ficamos receosos quanto à resistência ao fogo, devido a presença da fibra de papel. No entanto, os valores apresentados qualificam o kraftterra como um material corta-fogo”, comenta Buson. “Os pesquisadores que acompanharam os testes em Portugal não conseguiam acreditar quando viram os resultados de resistência ao fogo do material”, completa.
Porém, nos testes de absorção de água, o produto apresentou cerca de 7,6% mais absorção que o tijolo comum. De acordo com Buson, esse aspecto torna a construção mais suscetível a infiltrações. A solução achada, então, foi a adição da seiva da babosa à composição. “A seiva diminuiu a absorção de água pelo material em 6%, em comparação ao tijolo de solo-cimento. Isso demonstra que a técnica é versátil, pois permite a modificação das características do material por meio da adição de outras substâncias”, observa.
Reciclagem
A maior vantagem do kraftterra, no entanto, tanto na opinião do autor do estudo como na de outros pesquisadores da UnB, é o fato de ele ajudar na preservação do meio ambiente. Isso porque evita que a embalagem de cimento seja jogada no lixo. “Não há um descarte correto para esses sacos, que acabam indo para aterros e lixões, comprometendo a qualidade do solo e da água e até obstruindo bueiros”, explica Raquel Blumenschein.
Buson relata que, em ensaios laboratoriais, foi capaz de reciclar 130 sacos de cimento em um tonel de 220l, num período de apenas 15 minutos. “Uma pequena casa de dois cômodos, com 50m², por exemplo, leva em torno de 15 mil tijolos. Na composição desses tijolos, estariam 15 mil sacos de cimento reciclados. Ou seja, menos 15 mil sacos jogados na natureza”, comemora.
A aplicação da técnica do kraftterra pode ser utilizada em vários outros métodos de composição de tijolos, como os blocos de terra compactado (BTC), os blocos de terra adensados, conhecidos como adobe, e a taipa de mão. “Além de barata, a técnica é simples. Pode ser utilizada, por exemplo, em construções populares”, afirma o especialista.
O professor da UnB ressalta que ainda é cedo para a utilização da tecnologia nas obras. O próximo passo é avaliar o comportamento do kraftterra em um canteiro experimental. “Seria irresponsável colocar o produto para a execução de obras. É preciso testá-lo primeiro em meio às intempéries do clima”, explica.
07 de Abril de 2010
Empresa lança linha ecologicamente correta de materiais para limpeza
CorreioWeb - Lugar Certo
A Tok&Stok acaba de lançar a linha Eclipse, que propõe uma nova maneira de limpar, unindo design e qualidade a características sustentáveis, ecologicamente corretas. Fabricada nos Estados Unidos, a coleção foi ganhadora do prêmio Good Design Award de 2009 e traz a cor verde predominante nas bases plásticas dos produtos, feitas de garrafas PET de soda recicladas. Com design em forma de meia-lua, daí o nome da linha, os itens facilitam a limpeza de cantos e entre móveis. A linha é composta pelo cabo multiuso (R$ 103), de alumínio, que também é proveniente de material reciclável e foi projetado para se acoplar em vários acessórios, além da vassoura (R$ 92), balde 10 l (R$ 85) e rolo tira pelo (R$ 34,50). As partes de alguns produtos se encaixam e podem ser reutilizadas de diversas formas.
Os “mops” microfibra (R$ 101) e com base (R$ 115) se destacam por possuírem microfibra em sua composição, um dos materiais mais eficientes para a limpeza. Também possibilitam a utilização de pouca água e evitam o uso de produtos químicos, além de poderem ser levados à máquina de lavar após a utilização. Parte de suas esponjas é confeccionada a partir da soja, o que reduz a quantidade de petróleo utilizada no produto. Suas bases com espuma possuem formato que se encaixa no balde ou tanque, onde o excesso de água pode ser retirado da espuma.
Essas características possibilitaram à linha Eclipse a certificação “Silver Level”, concedida pelo Cradle to Cradle (SM), que atesta a sustentabilidade e o baixo impacto ecológico. A coleção traz um novo conceito para as atividades do lar e insere a conscientização para o respeito ao meio ambiente.
