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ESPORTE

25 de fevereiro de 2010
Bicicletas podem ficar isentas do pagamento do IPI

Tatiana Sousa 24/02/2010 15:21 http://www.dzaí.com.br/

Bicicletas de fabricação nacional poderão ficar isentas do pagamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Atualmente, a bicicleta é tributada em 10%. A isenção está prevista no projeto de lei (PLS 488/09) de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), que tramita na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

No entender de Paim, a bicicleta, embora continue sendo instrumento de lazer e de esporte, é um veículo cada vez mais usado como meio de transporte, especialmente por trabalhadores de baixa renda, os quais, observou, constituem a maioria da população economicamente ativa.

O senador lembrou que a bicicleta, como meio de transporte, é benéfica ao meio ambiente, por não emitir poluentes na atmosfera. Além disso, observou, não agrava o congestionamento de vias urbanas.

- Além dessas vantagens, a bicicleta favorece o condicionamento físico, faz bem ao coração, aos músculos, ao corpo como um todo e ao espírito - lembrou Paulo Paim.

Por essas razões, o parlamentar defende que a bicicleta fique isenta da tributação do IPI.

A grande pergunta é: Eles (políticos) também irão usar?

SAÚDE

24 de fevereiro de 2010
Anvisa e Secretaria de Saúde combatem focos do mosquito da dengue no DF

Agência Brasil
Publicação: 23/02/2010 14:56

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (DF) deslocaram hoje (23) 135 agentes para o Itapoã, cidade do Distrito Federal a cerca de 30 quilômetros de Brasília. Segundo a Anvisa, o objetivo da ação foi verificar se há criadouros do mosquito Aedes aegypti em todas as casas da cidade, onde 58 casos de dengue já foram confirmados.

A coordenadora de Vigilância Ambiental do Itapoã, Stephanie Valentin, aponta o descuido dos moradores como a principal causa do aumento no número de casos na região. “Há um mês estamos trabalhando. Já recolhemos muitos objetos que acumulam água e fizemos o tratamento em diversas casas, mas mesmo assim ainda encontramos larvas do mosquito.”

O agente sanitário Sevirino de Oliveira encontrou focos da dengue em uma caixa d'água aberta no quintal de uma casa em construção. No lote havia também garrafas de plástico propícias à proliferação do mosquito. Segundo Oliveira, nesta mesma rua, cinco pessoas estão com dengue.

Dilva Alvez, que mora perto de ferro-velho, está com a doença e não vai trabalhar há uma semana. “Acho que [o mosquito] veio do ferro-velho, porque oito pessoas na rua já estão com dengue.” Ela e outros moradores do local denunciaram o estabelecimento à Anvisa. Os agentes encontraram vários focos do mosquito no local.

O trabalho desses profissionais é grande: eles enfrentam o calor, muros, grades e cachorros, antes de conseguirem entrar nas casas para orientar a população e procurar focos do Aedes aegypti.

Até o final da semana passada, 1.425 casos da dengue foram notificados em todo o DF, dos quais 390 foram confirmados.

Nunca é demais repetir para se evitar

Prevenção

A ação mais simples para se prevenir a dengue é evitar o nascimento do mosquito, já que não existem vacinas ou medicamentos que combatam a contaminação. Para isso, é preciso eliminar os lugares que eles escolhem para a reprodução.

A regra básica é não deixar a água, mesmo quando limpa, parada em qualquer tipo de recipiente.

Como a proliferação do mosquito é rápida, além das iniciativas governamentais, é importantíssimo que a população também colabore para interromper o ciclo de transmissão e contaminação. Para se ter uma idéia, em 45 dias de vida, um único mosquito pode contaminar até 300 pessoas.

Então, a dica é manter recipientes, como caixas d’água, barris, tambores tanques e cisternas, devidamente fechados. E não deixar água parada em locais como: vidros, potes, pratos e vasos de plantas ou flores, garrafas, latas, pneus, panelas, calhas de telhados, bandejas, bacias, drenos de escoamento, canaletas, blocos de cimento, urnas de cemitério, folhas de plantas, tocos e bambus, buracos de árvores, além de outros locais em que a água da chuva é coletada ou armazenada.

É bom lembrar que o ovo do mosquito pode sobreviver até 450 dias, mesmo se o local onde foi depositado o ovo estiver seco. Caso a área receba água novamente, o ovo ficará ativo e pode atingir a fase adulta em um espaço de tempo entre 2 e 3 dias. Por isso é importante eliminar água e lavar os recipientes com água e sabão.

CULTURA

23 de fevereiro de 2010
Suicídio entre jovens indígenas é tema de curta-metragem


Carolina Santos 22/02/2010 15:35 http://www.dzaí.com.br/

Os casos de suicídio entre jovens indígenas do Norte do País por consumo de substâncias alcoólicas são assuntos que sempre intrigaram o produtor audiovisual Sérgio Andrade, que sempre acompanhou as notícias relacionadas a essas situações com curiosidade e atenção. Por conta disso, resolveu criar um roteiro livremente baseado na questão social. O projeto, que dará vida a um curta-metragem chamado “Cachoeira”, foi um dos 20 contemplados pelo Edital de Curta-Metragem dos Gêneros Ficção e Documentário em 35mm do Ministério da Cultura e começa a ser gravado no final do mês de abril, em Presidente Figueiredo.

Durante pesquisa, Sérgio conta que teve acesso a informações jurídicas e jornalísticas sobre um caso que aconteceu em uma comunidade no município de São Gabriel da Cachoeira, distante 852 quilômetros de Manaus. “Mas meu roteiro apenas se utiliza desses dados reais para compor um mosaico fictício em que o tema é proposto de maneira instigante e provocadora”, diz. Para ele, o assunto é interessante pois implica vários universos culturais do branco, índio e misticismo. “Parece que, num sentido figurado, quando eles misturam cachaça, cigarro, mandioca fermentada e até acetona, eles estão misturando uma grande confusão sociocultural”.

Seleção

Para compor o elenco do curta, a produtora Soraya Freitas selecionou indígenas que já trabalharam em produções de filmes e televisão. “Eles são autênticos indígenas, falam os dialetos e já tiveram experiência com audiovisual. Participei de um dos testes e estou impressionado com a carga interpretativa e estética deles”, declara o diretor.

Sérgio comenta que os atores já estão em fase de ensaios. “Tive uma grande satisfação quando iniciei os ensaios com o elenco indígena - entre eles ticunas, tarianos e dessanas - quando pude ver o quanto o roteiro reflete mesmo a realidade social de algumas comunidades”, afirma. “Os índios ficaram envolvidos e interessados em contribuir para uma obra que apresenta essa parte da situação indígena hoje”.

Atores

Anderson Araújo, Anderson Peixoto, Osmar Moreira, Severiano Kedassere e Raimundo Kissibe foram os indígenas selecionados para participar do filme. Além deles, o elenco contará com a atriz Maíra Chasseraux. “Maíra é uma atriz que está começando a ter reconhecimento no cinema brasileiro e traz mais projeção e profissionalismo ao filme”, informa Sérgio. Ele adianta que após a atriz terminar as gravações do novo filme de Selton Mello, “Filme de Estrada”, virá para Manaus. No curta Maíra fará par com ator amazonense Begê Muniz. “Ela se enquadra bem no papel de jovem mestiça indígena e topou ter um cachê igual ao dos outros atores amazonenses. Sempre planejei fazer um filme com ela, é como o diretor que tem uma atriz de preferência”.

Detalhes

O diretor adianta que o curta-metragem será gravado na Cachoeira do Santuário, a qual a administração se mostrou muito interessada em apoiar a produção. “Outro local seria a Cachoeira de Santa Claudia, mas estamos a espera da resposta deles, lá também seria perfeito”.

No filme, os suicídios acontecem na cachoeira, o que, segundo Sérgio, torna tudo mais complicado tecnicamente e até perigoso. “Para gravar certos trechos, teremos apoio de profissionais de rapel. Está tudo bem amarradinho”, explica.

Para Sérgio Andrade, o filme deve levantar uma reflexão sobre estas questões sociais. “Mas sou um diretor da corrente dos que acham que um filme tem signos que trabalham por si só. Além de passarem uma mensagem de proveito também tem uma liberdade estética a ser absorvida pelo público”, finaliza.

CIDADANIA

11 de fevereiro de 2010
Livros retirados do lixo mudaram a vida de Everaldo
Tudo parecia conspirar para que a vida de Everaldo José da Silva Santos não desse certo. Da infância sofrida no interior da Bahia ao vício do jogo e a um relacionamento que se desfez deixando fortes marcas, nada vislumbrava esperança. Mas ele mudou o rumo de sua história.

Leilane Menezes  (Correio Braziliense)
Publicação: 11/02/2010 09:50
No interior de uma Kombi, em Taguatinga Centro, vive a história de um ex-morador de rua, ex-viciado em jogo, que encontrou felicidade e equilíbrio em livros retirados do lixo. O baiano Everaldo José Silva dos Santos, hoje com 32 anos, montou dentro do veículo um sebo ambulante com 2 mil exemplares reaproveitados. O negócio de troca e venda de publicações funciona dentro do carro há três anos. Ali, o dono alimenta diariamente sua paixão pelos livros e mata a sede de comprá-los pagando barato de muitos brasilienses.

Todos os dias, por volta de 300 pessoas passam pela banquinha improvisada por Everaldo. Ele atende todo tipo de gente: de estudantes e professores a mendigos e bêbados que gostam de ler. Os livros ficam expostos para quem quiser folhear sem compromisso. Uma placa avisa: “Leia. Fique à vontade”. E assim ocorre. “Sinto prazer em ver as pessoas lendo”, explicou Everaldo. Se o plano for levá-los para casa, o mais barato custa R$ 1 e o mais caro não passa dos R$ 40. Há de Gabriel García Márquez à literatura erótica dos livretos da série Sabrina e Bárbara, passando pelos livros didáticos, em edições atualizadas, até 90% mais baratos que nas livrarias convencionais, e, ainda, apostilas de concurso público.

Quando vivia na rua — Everaldo passou por São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador —, o rapaz era catador de papel. Muitas vezes, em meio a embalagens dos mais variados produtos, encontrava algum livro descartado pelo dono como se não tivesse mais serventia. Além de um passatempo, as histórias impressas em pedaços encardidos de papel o faziam viajar e conhecer um mundo até então distante. “Sempre gostei dos de filosofia. Achava tudo muito incrível e possível ao mesmo tempo”, lembrou. No começo, Everaldo não vendia os livros, apenas se divertia com eles.

Nos tempos de criança, em Ibicaraí, no sul da Bahia, Everaldo lia e estudava escondido do pai, um trabalhador rural que não acreditava no valor do conhecimento e depositava toda sua fé em resultados de um esforço mais prático: o trabalho braçal na lavoura. “Às vezes faltava de tudo em casa. Tenho sete irmãos e minha mãe morreu no parto. Mesmo com toda essa desventura, o que me alimentava eram os livros. Eles me faziam seguir em frente”, acredita. Já adolescente, Everaldo não tinha nem o primeiro grau completo. Quando chegou aos 19 anos, mudou-se para São Paulo, em busca de emprego e instrução formal. “Os livros podiam me levar muito longe e não só na imaginação. Eu sabia disso e precisava tentar.”

O jovem conseguiu emprego em um clube e também como ajudante de servente. Mas no caminho o moço do interior encontrou diversão fácil em jogos de cassinos na cidade grande e perdeu-se entre fichas e o dinheiro que ia e vinha com a mesma facilidade. “Eu gastava em uma hora o salário de um mês”, lembrou. O vício roubou o lugar dos sonhos, que logo viraram projeções distantes. Everaldo perdeu os dois empregos que arranjara e acabou virando morador de rua. Só sobraram os livros que ele empacotou e levava sempre ao seu lado como companhia.

Cidade boa

Os colegas dessa época falaram para Everaldo sobre uma cidade de solo plano, muito melhor para catar papel que qualquer outra já vista: Brasília. Ele acreditou na vocação da capital federal para prosperar nesse ramo. “Me disseram: ‘Vai lá porque não tem esses morros e ladeiras igual aqui. É bom demais’. E eu vim para o DF”, relembrou o comerciante. Chegando ao solo candango, Everaldo já havia se curado sozinho do vício em jogos. “Quando meu dinheiro ia toda embora, batia uma frustração muito grande. Esse sentimento me fez acordar.” Ele conseguiu montar um ferro velho no qual também residia. “Corria tudo muito bem, até eu me apaixonar loucamente por uma mulher. Ela me deixou e eu fiquei sem chão. Vendi tudo que tinha no ferro velho e decidi me mudar de Brasília. Mas pensei: se eu for embora, o que sinto vai comigo. E resolvi ficar aqui mesmo. Passei então a ser camelô no centro de Taguatinga. Vendi roupas e chapéus durante um tempo.”

Mas o negócio não ia muito bem. Certo dia, deitado na cama, Everaldo admirava sua coleção de quase 200 livros quando teve a ideia de passá-los para frente. “Já tinha lido todos eles e sabia que poderia conseguir mais no mesmo lugar: o lixo. Então estiquei um pouco mais a minha lona de camelô e comecei a vender os livros também. A coisa começou a fazer sucesso. Todo mundo parava para ler um pouco, porque era barato demais, tipo R$ 1”, contou.

Reviravolta

Quando o governador José Roberto Arruda assumiu o comando do DF, retirou todos os camelôs das ruas de Taguatinga. Everaldo se viu mais uma vez sem saída. “Foi então que pensei na Kombi. É algo móvel e eu poderia vender meus livros sossegado. Juntei todas as minhas economias e paguei R$ 2,5 mil nela”, relatou. Desde então, o negócio não para de crescer. Everaldo trabalha das 6h30 às 20h, de segunda-feira a sábado. Na coleção tem de tudo: Machado de Assis, Vinícius de Moraes, José de Alencar, Arnaldo Jabor, Nietzsche, Kant… “As pessoas se encantam com a ideia e me dão livros sempre. Hoje eu alimento o acervo com doações e trocas. Não precisei mais pegar do lixo”, disse.

A história do menino que virou homem e não esqueceu o poder de fazer viajar da literatura está gravada dentro da Kombi branca envelhecida pela passagem do tempo e fabricada em 1978. Everaldo hoje vive em uma casa confortável em Samambaia e tem até uma funcionária, Jaqueline Mendes, 17 anos. “Escutava as histórias dele e ficava muito comovida. Então resolvi ajudar. Fico na Kombi quando ele não pode”, relatou Jaqueline.

O patrão pensa em montar um sebo em uma loja convencional. Mas sem desistir da inusitada livraria móvel. “Ela vai ser o chamariz para a entrada”, planeja. “De tudo isso, tirei uma lição: o que para muitos é lixo, para outros é esperança, conhecimento. Acreditando nisso, eu vivi toda a minha vida e trouxe até meus irmãos para a cidade grande”, comemorou. O maior orgulho de Everaldo, no entanto, é ver gente simples lendo. “Quando as pessoas passam aqui na frente, elas se lembram de ler. Até os mendigos bêbados juntam as moedinhas e levam um livro. Esse é o meu maior orgulho”, concluiu.

"Às vezes faltava de tudo em casa. Tenho sete irmãos e minha mãe morreu no parto. Mesmo com toda essa desventura, o que me alimentava eram os livros. Eles me faziam seguir em frente"
Everaldo José Silva, comerciante

MEIO AMBIENTE

24 de fevereiro de 2010
Brasil tem 40 anos para evitar colapso na Amazônia, diz pesquisador do Inpe

Carolina Santos 23/02/2010 11:58 http://www.dzaí.com.br/

Em entrevista concedida ao site Amazonia.org.br o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe) Gilvan Sampaio, afirmou que se continuarmos no mesmo ritmo de desmatamento que tivemos durante a década de 2000 – associado ao impacto das mudanças climáticas – a Amazônia chegará ao seu limite por volta de 2050.

A constatação foi feita a partir do relatório chamado " Assessment of the Risk of Amazon Dieback" e conduzido pelo Banco Mundial. O estudo avaliou o risco de parte da floresta amazônica entrar em colapso devido à conjunção de três fatores: desmatamento, mudanças climáticas e queimadas. Segundo ele, em 2025, cerca de 75% da floresta seriam perdidos. Em 2075, só restariam 5% de florestas no leste da Amazônia.

Esse levantamento contou com a colaboração dos pesquisadores brasileiros do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe) Carlos Nobre e Gilvan Sampaio, trabalha com o conceito de "Amazon Dieback", termo que ainda não tem tradução exata para o português e que representaria uma redução da biomassa da floresta.

Confira a entrevista concedida por um dos pesquisadores ao portal:

Amazonia.org.br - O que é o conceito de "Amazon Dieback"?
Gilvan Sampaio - Não tem uma tradução exata para esse termo, mas podemos dizer que é o risco de colapso de parte da floresta. Não de toda a floresta, mas de parte da Amazônia. O nível, o ponto que chega a floresta que, mesmo que você faça reflorestamento ela não retorna. É uma morte de parte da floresta.

Amazonia.org.br - Esse colapso seria causado pela redução de biomassa da floresta?
Sampaio - Exatamente. Em nossos estudos, avaliamos que, principalmente no leste da Amazônia, com a mudança do clima mais a mudança no uso da terra, você não conseguirá mais sustentar ali uma floresta de pé, como é o caso da floresta amazônica. Você teria uma floresta com, digamos, menos biomassa acumulada, que poderia ser semelhante a uma savana. Por isso nós chamamos o processo de savanização.

Amazonia.org.br - E o estudo quantifica esse risco?
Sampaio - O risco é alto. Nós já desmatamos quase 20% da Amazônia, e o ponto limite da floresta é 40%. A partir de 40% de desmatamento, e considerando os efeitos do aquecimento global, você não conseguiria mais recuperar a área que já foi devastada.

O que eu quero dizer: agora a gente já desmatou 20%. Se você parar de desmatar, e quiser recuperar esses 20%, possivelmente conseguiremos recuperar. Até 40%. Esse seria o limite, mais do que disso a gente não consegue recuperar parte da floresta amazônica.

Esse limite já leva em consideração as mudanças climáticas. E esse é o diferencial do estudo. Porque pela primeira vez nós somamos três efeitos simultâneos: o aquecimento global, as mudanças da terra, e - eu estou chamando de terceiro, mas faz parte de mudanças da terra - o fogo. O efeito do fogo também contribui para a degradação da floresta.

Amazonia.org.br - O estudo apresenta estimativas diferentes para a mudança do clima, com cenários mais otimistas ou pessimistas.
Sampaio - Isso. A diferença entre eles é a concentração de gases na atmosfera, sobretudo de CO2. Porque num cenário de mais emissões, a degradação é maior, e também por conta do maior impacto no clima. Embora esse limite, quando se chega a um nível de degradação muito grande, por exemplo mais de 50% de desmatamento, não há muita diferença entre os cenários. Tanto faz os cenários de alta ou baixa emissão, com esse nível de desmatamento alto, a área degradada e a área remanescente de floresta seria muito semelhante.

Se continuarmos o ritmo de desmatamento e de emissões que estávamos na década de 2000, nós atingiremos esse limite por volta do ano de 2050. Quer dizer, nós temos no máximo quarenta anos para reverter esse quadro.

Amazonia.org.br - E nessa estimativa foi considerada as metas de redução de desmatamento do governo?
Sampaio - Ainda não. Esse será o nosso próximo passo.

Amazonia.org.br - O estudo também analisa o impacto em diferentes regiões da Amazônia.
Sampaio - O maior impacto ocorre no leste da Amazônia. É a área mais sensível. O caso do noroeste da Amazônia é totalmente oposto, pois é a área em que se tem o menor impacto.
No Nordeste, não da Amazônia, mas o Nordeste brasileiro, também existe impacto associado ao desmatamento da Amazônia, porque o desmatamento faz com que haja diminuição da área de caatinga, dando lugar a uma área bem grande de semideserto.

Amazonia.org.br - Isso acontece por causa de mudanças no regime das chuvas?
Sampaio - No Nordeste ocorre uma diminuição bastante grande de chuvas na região central, com o desaparecimento da caatinga e o aparecimento de semideserto. Isso, de fato, já está acontecendo, a tendência é se acelerar.
Outro exemplo: no leste da Amazônia, que é a região de maior impacto, há uma diminuição muito significativa das chuvas, por conta principalmente de desmatamento. O impacto é muito negativo no leste, e é justamente a região que sofre mais pressão.
Se você considerar uma projeção para 2025, só no leste da Amazônia seria perdido 75% da área de floresta, em comparação com a área atual. Com os três efeitos combinados. Essa é a região que ha maior mudança do regime das chuvas, alem do aumento da temperatura, que contribui bastante para a mudança de vegetação

Amazonia.org.br - O estudo apresenta propostas para evitar os impactos?
Sampaio - Não, não fizemos recomendações. Na verdade, as recomendações são aquelas que já conhecemos: diminuir as emissões de gases de efeito estufa e controlar o desmatamento.

17 de fevereiro de 2010
2º e 3º Movimento Cerrado Limpo
13/02 - Fomos conhecer a casa do Seu José e um pouco de sua vida. Adentramos o córrego fazendo a coleta do lixo da cidade trazido pela correnteza. Seu José nos mostrou algumas árvores e plantas importantes. E também nos falou sobre o seu desejo de transformar sua casa em um museu da fauna e flora. Neste dia podemos contar com a ajuda de mais um membro: Celivan.

15/02 - Novamente descemos até a casa do Seu José para mais um dia de trabalho no mato. Desta vez podemos contar com a participação de mais um irmão para o grupo: Dennis (jungle boy) rsrsrsrssrsrs.
Ficamos sabendo um pouco mais sobre o projeto do museu e coisas necessárias que estão em falta, como materiais de construção, ferramentas, mão-de-obra, etc...
A idéia é que o museu seja um lugar de pesquisa e conhecimento voltado para crianças e jovens, evitando que estes entrem em caminhos errados.

Quem estiver interessado em doar algo para a construção do museu ou entrar para o grupo Gama Melhor e participar de nossas diversas atividades, entre em contato pelos números e endereços acima.

08 de fevereiro de 2010
1º Movimento Cerrado Limpo

Iniciamos neste sábado dia 06 de fevereiro, o projeto que visa recolher o lixo encontrado no cerrado do Gama e conscientizar a população e usuários do local a preservar o cerrado. Começamos pelo setor oeste logo após a Vila Roriz. Os integrantes iniciais do movimento foram Felipe (Rodinha) e João Paulo (Bakeu). Esperamos que em breve, possamos contar com vários amigos e formar um forte grupo (família) de defesa ambiental.
Conhecemos durante o trabalho o Seu José: morador das redondezas que diz fazer sua parte recolhendo o lixo encontrado próximo a sua moradia e alertando os usuários do local a não sujarem a mata. De acordo com ele, é muito difícil trabalhar só, sem apoio das pessoas e da administração. Inclusive já foi agredido por usários de drogas que frequentam o local por tentar conscientizá-los do erro que estavam cometendo.
Pois se depender de nós, nunca mais o Seu José estará sozinho!

 1º de fevereiro de 2010
Cada brasiliense joga fora 2,4kg de resíduos por dia
De 2007 a 2008, volume de dejetos coletados no DF aumentou em 34 milhões de quilos, chegando a 699 mil toneladas

Naira Trindade (Correio Braziliense)
Publicação: 26/01/2010 08:43

O brasiliense produz cada vez mais lixo. Todos os dias, quase 2 mil toneladas de resíduos sólidos são coletadas pelos caminhões do Sistema de Limpeza Urbana (SLU) em todas as regiões administrativas. O último levantamento do órgão de limpeza mostra que, em 2008, foram recolhidas 699 mil toneladas desses materiais descartados. São 34 milhões de quilos a mais que o ano anterior, em 2007. A quantia daria para encher mais de 1,360 milhão de caminhões de lixo, com capacidade de 25 toneladas. O consumo elevado e o alto poder aquisitivo da população são os principais responsáveis pelo aumento na produção de resíduos no Distrito Federal.

O Lixão da Estrututal é para onde vai a maior parte do lixo coletado em todo o Distrito Federal: riscos para o meio ambiente

Cada morador da capital produziu em 2008, em média, 2,4 quilos de lixo por dia. Foram 876kg de resíduos por pessoa — quase uma tonelada — jogados na lixeira durante todo o ano. Em 2007, a quantidade de lixo per capita chegou a 616kg no DF. Dados do Diagnóstico de Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos do Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento (SNIS), do Ministério das Cidades, apontam o DF como o maior produtor de resíduos sólidos do país.

O levantamento analisa dados de 2007, quando cada brasiliense fabricou 1,96 quilo de lixo por dia, três vezes mais que o morador de Minas Gerais ou o do Amapá, por exemplo. Em segundo lugar na produção de dejetos está o paraibano, com 1,56 quilo a cada dia. Em terceiro, vem o alagoano, que despejou diariamente 1,47 quilo nas lixeiras. O estudo abrangeu mais de 83,8 milhões de pessoas. De acordo com os dados da SNIS, a média nacional ficou em 1,17 quilo diário.

No DF, o Plano Piloto — abrangendo as asas Sul e Norte e o Sudoeste, na classificação do SLU — lidera o ranking dos maiores produtores de lixo. São 142,8 mil toneladas coletadas por ano, média mensal de 11,9 mil toneladas de resíduos. Em seguida, aparece Taguatinga, com descarte anual de 100,5 mil toneladas de dejetos, em média, 8,3 mil toneladas por mês. E a terceira colocação fica com Ceilândia, com produção anual de 93,5 mil toneladas de lixo, em média 7,8 mil toneladas de resíduos por mês.

O alto número de detritos coletados no Plano Piloto em relação às outras cidades é explicado pelo gerente de orientação e fiscalização do SLU, Fábio Gama, pela concentração de hospitais e também de órgãos públicos, comércios e restaurantes. O Correio percorreu algumas das principais áreas da Asa Sul e registrou a movimentação de funcionários ao desfazer dos detritos. O aumento populacional do DF não pôde ser usado como justificativa em relação a 2007 a 2008, pois, de acordo com a tabela do SLU, em 2007 havia 2.438.970 habitantes no DF e, em 2008, o número caiu para 2.422.490 moradores. “O poder aquisitivo do brasiliense aumentou muito. Um exemplo é a quantidade de carros nas ruas. As pessoas estão comprando mais e, consequentemente, descartando mais”, explica o superintendente substituto do SLU.


Separação

Apenas 35% do lixo produzido na região central de Brasília é separado por coleta seletiva. O restante é despejado em aterros, principalmente o Lixão da Estrututal, o que oferece sérios riscos ao meio ambiente. Uma pequena parcela do material é reaproveitada por catadores, como o morador de Santo Antônio Descoberto (GO) Elias Oliveira Andrade, 64. Há mais de 20 anos, ele compra e vende materiais encontrados nos lixos do DF. “O lixo aumentou muito, mas perdeu seu valor. Eu sustentei seis filhos com o dinheiro retirado de materiais reutilizáveis recolhidos nas ruas. Agora, consigo pagar as contas de águas, luz e supermercado”, afirma o homem, que antes era pintor. “Perdi tempo na construção civil. O salário que retirava no lixo era pelo menos três vezes maior que o adquirido pintando uma casa inteira.” Hoje, o catador emprega indiretamente com o reaproveitamento de lixo três funcionários, tem um caminhão particular e construiu uma casa.

Elias pega o lixo deixado por moradores ao longo da Asa Sul. Ele passa antes do serviço de limpeza pública e retira parte dos produtos dispensados nos pontos de coleta. Os resíduos reservados à coleta seletiva são levados pelos caminhões para a usina de reciclagem no fim da Asa Sul. Lá, são depositados com outros produtos trazidos da Asa Norte e Sudoeste, impossibilitando identificar a quantidade de cada área separadamente. O SLU pretende ampliar o serviço de coleta seletiva para outras cidades do DF, mas, primeiro, precisa atingir um número maior de pessoas que façam a seleção do produto no Plano Piloto e no Sudoeste. “Falta uma estruturação para irmos para outras regiões. Não podemos sair sem antes conseguirmos mais colaboração da população da área central de Brasília, onde apenas 35% dos moradores selecionam o lixo antes de despejá-lo na lixeira. É necessário que a população tenha mais consciência e comece a separar os resíduos de maneira que ele seja reaproveitado, como não rasgar o papel e jogá-lo fora inteiro”, completa Gama.


Material reciclável

A coleta seletiva é a coleta diferenciada — pós-separação do lixo — do material reciclável, o que facilita a sua reutilização ou reciclagem. É preciso que haja estrutura para isso, ou seja, caminhões diferentes dos veículos que levam os resíduos não recicláveis e centros de triagem, onde catadores separarão os produtos. Também é necessário que a população faça a sua parte, despejando em lixeiras diferentes o lixo seco do orgânico.


Diferenças

Lixo orgânico
Restos de alimentos, cascas de frutas, legumes e ovos, flores, caules, folhas de árvores e hortaliças, sacos de chá e café, aparas de madeira, cinzas, resíduos de banheiro (papel higiênico e absorvente usados).

Lixo seco
Papel, papelão, jornais, revistas, cadernos e embalagens tipo longa vida, alumínio, bronze, cobre, sucatas de ferro, latas, panelas, fios e correntes, vidro (inteiro ou quebrado), vasilhames de produtos de higiene e limpeza, copos descartáveis, sacos, sacolas, caixas e tubos de PVC, garrafas e embalagens plásticas, brinquedos e utensílios quebrados.