Visualizações


ECOLOGIA

1º de Junho de 2010
100% Limpeza

Revista da FIEC por Gevan Oliveira

Não tem mais volta. As tecnologias limpas - aquelas que não queimam combustível fossíl - serão o futuro do planeta quando o assunto for geração de energia elétrica. E, nessa onda, a produção eólica e solar sai na frente, representanto importantes fatias na matriz energética de vários países europeus, como Espanha, Alemanha e Portugal, além dos Estados Unidos. Também está na dianteira quem conseguiu vislumbrar essa realidade, quando havia apenas teorias, e preparou-se para produzir energia sem agredir o meio ambiente. No Ceará, um dos locais no mundo com maior potencial energético (limpo), um ``cabeça chata``  pretende mostrar que o estado, além de abençoado pela natureza, é capaz de desenvolver tecnologia de ponta.

O professor pardal cearense é o engenheiro mecânico Fernandes Ximenes, proprietário da Gram-Eollic, empresa que lançou no mercado o primeiro poste de iluminação pública 100% alimentado por energias eólica e solar. Com modelos de 12 e 18 metros de altura (feitos em aço), o que mais chama a atenção no invento, tecnicamente denominado de Produtor Independente de Energia (PIE), é a presença de um avião no topo do poste.

Feito em fibra de carbono e alumínio especial - mesmo material usado em aeronaves comerciais - a peça tem 3 metros de comprimento e, na realidade, é a peça-chave do poste híbrido. Ximenes diz que o formato do avião não foi escolhido por acaso. A escolha se deve a sua aerodinâmica, que facilita a sua captura de raios solares e de vento. ´´Além disso, em forma de avião, o poste fica mais seguro. São duas fontes de energia alimentando-se ao mesmo tempo, podendo ser instalado em qualquer região e localidade do Brasil e do mundo´´ esclarece.

Tecnicamente, as asas do avião abrigam células solares que captam raios ultravioletas e infravermelhos por meio do silício (elemento químico que é o principal componente do vidro, cimento, cerâmica, da maioria dos componentes semicondutores e dos silicones), transformando-os em energia elétrica (até 400 watts), que é armazenada em uma bateria afixada alguns metros abaixo. Cumprindo a mesma tarefa de gerar energia, estão as hélices do avião. Assim como as naceles (pás) dos grandes cata-ventos espalhados pelo litoral cearense, a energia (até 1000 watts) é gerada a partir do giro dessas pás.

Cada poste é capaz de abastecer outros três ao mesmo tempo. Ou seja, um poste com um ´´avião´´ - na verdade um gerador - é capaz de produzir energia para outros dois sem gerador e com 6 lâmpadas LEDs (mais eficientes e mais ecológicas, uma vez que não utilizam mercúrio, como as fluorescentes compactas) de 50.000 horas de vida útil dia e noite (cerca de 50 vezes mais que as lâmpadas em operação atualmente; quanto a luminosidade, as LEDs são oito vezes mais potentes que as convencionais). A captação (da luz e do vento) pelo avião é feita em eixo com giro de 360 graus, de acordo com a direção do vento.

À PROVA DE APAGÃO

Por meio dessas duas fontes, funcionando paralelamente, o poste tem autonomia de até sete dias, ou seja, é a prova de apagão. Ximenes brinca dizendo que sua tecnologia é mais resistente que o homem: ´´As baterias do poste híbrido tem autonomia para 7o horas, ou seja, se faltar vento e sol 70 horas, ou sete noites seguidas, as lâmpadas continuarão ligadas, enquanto a humanidade seria extinta porque não se consegue viver sete dias  sem a luz solar´´.

O inventor explica que a idéia nasceu em 2001, durante o apagão. Naquela época, suas pesquisas mostraram que era possível oferecer alternativas ao caos energético. Ele conta que caminhada foi difícil, - em função da falta de incentivo - o trabalho foi desenvolvido com recursos próprios. Além disso, teve que superar o pessimismo de quem não acreditava que fosse possível desenvolver o invento. ´´Algumas pessoas acham que só copiamos e adaptamos descobertas dos outros. Nossa tecnologia, no entanto, prova que esse pensamento está errado. Somos, sim, capazes de planejar, executar e levar ao mercado um produto feito 100% feito no Ceará. Precisamos, na verdade, é de pessoas que acreditem em nosso potencial´´, diz.

Mas esse não parece ser um problema para o inventor. Ele até arranjou um padrinho forte, que apostou na idéia: o governo do estado. O projeto, gestado durante sete anos, pode ser visto no Palácio Iracema, onde passa por testes. De acordo com Ximenes, nos próximos meses deve haver um entendimento entre as partes. Sua intenção é colocar a descoberta em praças, avenidas e rodovias.

O empresário garante que só há benefícios econômicos para o (possível) investidor. Mesmo não divulgando o valor necessário â instalação do equipamento, Ximenes afirma que a economia é de cerca de R$ 21.000 por quilômetro-mês, considerando-se a fartura cheia da energia elétrica. Além disso, o custo de instalação de cada poste é cerca de 10% menos que o convencional, isso porque economiza transmissão, subestação e cabeamento. A alternativa, teria, também um forte impacto no consumo da iluminação pública, que atualmente representa 7% da energia do estado. ''Com os novos postes, esse consumo passaria para próximo de 3%, garante, ressaltando que, além das vantagens econômicas, existe ainda o apelo ambiental. Uma vez que não haverá contaminação do solo. nem refugo de materiais radioativos, não há impacto ambiental'', finaliza Fernandez Ximenes.

Sem comentários:

Enviar um comentário