16 de Setembro de 2010
Altas temperaturas e baixa umidade do ar castigam os candangos
Lucas Tolentino (Correio Braziliense)
Publicação: 16/09/2010 08:00
O Distrito Federal enfrenta um período de seca sem previsão para acabar. Os termômetros do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) marcaram ontem a maior temperatura do ano: 31,5ºC. A umidade relativa do ar registrada no dia ficou em 14%, no meio da tarde. E os brasilienses devem se preparar para pelo menos mais quatro dias de muito calor. Segundo estimativas do órgão, não deve cair uma gota de água do céu da cidade até o fim de semana. Além do mal-estar, a secura propicia queimadas por todo o DF. Ontem, um incêndio deixou a Esplanada dos Ministérios e outras regiões sem energia por cerca de 10 minutos.
Não chove em Brasília há 112 dias. Os especialistas do Inmet, no entanto, consideram normal o período de estiagem. “Não temos conhecimento de qualquer fenômeno atípico”, afirmou Maria das Dores de Azevedo, meteorologista do órgão. Os cálculos do Inmet para o possível início das precipitações atmosféricas baseiam-se em um dado chamado de prognóstico climático. A estatística leva em conta o primeiro dia de chuva depois da seca nos últimos 30 anos. A média revela que, normalmente, as nuvens carregadas surgem na segunda quinzena de setembro.
O Inmet estuda ainda as possíveis mudanças nos céus para as próximas 96 horas — 4 dias. É aí que a avaliação acaba com as esperanças de um fim de semana mais ameno para os candangos. A ClimaTempo, empresa privada de meteorologia, joga para ainda mais longe as expectativas. Segundo especialistas da entidade, a primeira chuva chegará à capital do país somente no próximo dia 29. “Há a hipótese de que uma frente fria avance pelo Sudeste e o Centro-Oeste favorecendo a formação de nuvens carregadas”, revelou o meteorologista André Madeira.
Perigo
A Defesa Civil emitiu ontem um aviso especial com declaração de estado de atenção para o Distrito Federal. O comunicado contém conselhos para que os brasilienses evitem problemas decorrentes do período de seca. O órgão pede que sejam descartadas atividades ao ar livre e de exposição ao sol entre 10h e 17h, principalmente entre 14h e 16h, período em que a umidade relativa do ar atinge os menores índices. Além disso, o documento ressalta a importância de ingestão de água e de outros líquidos em abundância e o uso de vaporizadores e toalhas molhadas nos ambientes.
Os cuidados com a saúde e as formas de driblar a secura fazem parte da rotina da população do DF. O morador do P Sul Miguel do Carmo, 38 anos, toma o máximo de banho que o tempo lhe permite. “Por mim, eu ficava de molho o dia inteiro no Lago Paranoá”, brincou. A baixa umidade também prejudica Débora do Carmo, 3 anos, filha de Miguel. Segundo ele, a garota sofre de rinite alérgica e os problemas respiratórios aumentam nesta época do ano. “Faço questão de sempre dar água a ela. Saúde é coisa séria e as crianças sofrem muito as consequências do clima de Brasília”, alertou o pai.
A grande diferença entre as temperaturas diurnas e noturnas é outro fator que castiga o brasiliense. Com a voz rouca, Valmira Ferreira, 26 anos, vai começar hoje no novo emprego de assistente em uma faculdade particular. Está preocupada porque irá assumir o cargo com os sintomas de gripe. “Tem hora que está calor, na outra está frio. Acabamos ficando em uma espécie constante gripe”, reclamou. Para ela, 2010 está mais quente do que os demais anos.

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