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ECOLOGIA

18 de Setembro de 2010
Engenheiro inventa umidificador feito de sucata para ambientes pequenos

Silvia Pacheco - Estado de Minas

Não é só o Distrito Federal que sofre com o tempo seco. O problema se estende aos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Tocantins. Nesses tempos de recordes de baixa umidade do ar — em agosto, chegou a 7% em cidades do interior paulista —, os umidificadores são cada vez mais usados para aliviar o sufoco da secura. Enquanto muita gente corre para as farmácias e lojas de eletrodoméstico para comprar o aparelho, o engenheiro eletricista de Santa Rita do Sapucaí (MG) Cláudio Lasso preferiu inovar — e economizar: criou um umidificador feito de sucata e que não necessita de energia elétrica. “Um produto baseado na demanda social e ambiental”, define.

Diferentemente dos estudos científicos, que demoram anos para serem concluídos, os inventos surgem da necessidade de resolver rapidamente algum problema. No caso de Lasso, era o sofrimento da sobrinha de 9 meses, que estava sofrendo com o tempo seco. Em casa, ele colocou em prática princípios da engenharia aliados à preocupação com o meio ambiente — além de não gastar energia elétrica, o equipamento é feito apenas de objetos que costumam ir para o lixo. “Optei por materiais que todos temos em casa, para que qualquer pessoa possa fazer seu umidificador em poucos minutos”, diz o inventor.

O material utilizado é composto por uma garrafa, um pote de sorvete, um CD velho e um pano absorvente, do tipo Perfex (veja arte). A forma de utilização do pano, segundo Lasso, é o grande diferencial do seu invento, garantindo mais eficiência. Apenas a ponta dele é colocada na água, fazendo com que ela demore mais para evaporar. “Uma toalha molhada na cabeceira da cama leva cerca de 20 minutos para secar. Já o umidificador de ar absorve 1cm de água por dia, dependendo da umidade relativa do ar e do tamanho da vasilha”, compara o inventor.

O professor do departamento de Engenharia da Construção Civil da Escola Politécnica da USP Vanderley Moacyr John explica que qualquer tecido de algodão (quanto mais grosseiro melhor) pendurado com a ponta de baixo colocada dentro d’água obtém o mesmo resultado. “A água sobe pelo tecido por capilaridade, o que aumenta a área de contato com o ar, aumentando a quantidade de água evaporada”, explica. “Eu mesmo já improvisei, em um hotel de Brasília, uma toalha pendurada com a parte de baixo encostando na água da pia”, conta.

Boa solução

A invenção de Lasso é elogiada por outros especialistas. “A fabricação é muito simples e barata, colaborando, inclusive, para a redução de descarte de material usado”, opina Mauro Severino, professor de engenharia elétrica da Universidade de Brasília (UnB). Saulo Rodrigues, coordenador de pós-graduação em desenvolvimento sustentável da UnB, acha a ideia muito interessante, principalmente porque elimina o uso da energia elétrica. “Precisamos de soluções como essa para reduzir os problemas ecológicos. Principalmente porque cerca de 70% desses problemas é de responsabilidade do consumo de energia de combustíveis fósseis, que ainda passa pela energia elétrica”, avalia Rodrigues.

Para melhorar sua eficiência, o engenheiro mineiro sugere que o umidificador caseiro seja colocado em frente a um ventilador, que servirá para espalhar a umidade. Além disso, o inventor explica que, por ser pequeno — cerca de 30cm de altura e 15cm de comprimento —, o umidificador não ocupa muito espaço, como bacias de água. “Eu mesmo uso na mesa em que trabalho”, exemplifica Lasso. Com isso, ele pode ser utilizado em diversos cômodos, e a pessoa pode construir vários para distribuí-los pela casa.

MEIO AMBIENTE

16 de Setembro de 2010
Recorde de queimadas em agosto

Renato Alves (Correio Braziliense)

Com a seca e a baixa umidade relativa do ar, o Distrito Federal registrou 2,4 mil focos de incêndio neste ano. Mais do que em todos os 12 meses de 2009, quando houve 2.063 queimadas. Somente ontem, a unidade da Federação teve 22 incêndios. O maior deles, na região da Fercal, próximo a Sobradinho, queimou o equivalente a mais de 90 campos de futebol profissional. Com um total de 767 ocorrências — média de 24,7 incêndios por dia — agosto apareceu como o mês com o maior número de queimadas em 2010 na capital do país.

Já na área da futura Cidade Digital, a 300m da Residência Oficial do Torto — casa de fim de semana da Presidência da República —, outro incêndio atingiu a rede de transmissão de energia elétrica da Companhia Energética de Brasília (CEB). Labaredas de até 10m de altura queimaram as torres de uma linha de alta tensão (138kV) por volta das 16h.

A queimada afetou dois circuitos de distribuição de energia, que alimentam parte das subestações Brasília-Norte e Brasília-Centro. O fornecimento de energia acabou interrompido por 10 minutos na Esplanada dos Ministérios, Setor de Embaixadas Sul, tribunais superiores, Shopping Pier 21, São Sebastião, Lago Sul e parte do Paranoá.

Os convidados para o lançamento do Plano de Combate ao Desmatamento do Cerrado, do governo federal, anunciado na tarde de ontem, sentiram o efeito das queimadas em Brasília. Durante a solenidade, realizada no Palácio do Planalto com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, faltou energia elétrica por três vezes, por causa do incêndio perto da Granja do Torto.

As chamas, que começaram por volta das 15h, consumiram todo o cerrado à margem da rodovia de acesso à região da Granja do Torto, ocupada por casas e chácaras, além do parque de exposições onde são realizados eventos agropecuários. Duas picapes com 10 homens do Corpo de Bombeiros foram deslocadas para o local. Eles controlaram o fogo por volta das 19h, quando mais de 10 hectares haviam sido queimados.

Além da queimada na Granja do Torto, a equipe do Correio Braziliense registrou outro foco de incêndio no Setor Noroeste no início da noite. As chamas consumiam o cerrado na área do Parque Burle Marx, atrás do Camping Club de Brasília e ao lado da pista de aeromodelismo, vizinhos da garagem do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF).

CLIMA

16 de Setembro de 2010
Altas temperaturas e baixa umidade do ar castigam os candangos

Lucas Tolentino  (Correio Braziliense)
Publicação: 16/09/2010 08:00

O Distrito Federal enfrenta um período de seca sem previsão para acabar. Os termômetros do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) marcaram ontem a maior temperatura do ano: 31,5ºC. A umidade relativa do ar registrada no dia ficou em 14%, no meio da tarde. E os brasilienses devem se preparar para pelo menos mais quatro dias de muito calor. Segundo estimativas do órgão, não deve cair uma gota de água do céu da cidade até o fim de semana. Além do mal-estar, a secura propicia queimadas por todo o DF. Ontem, um incêndio deixou a Esplanada dos Ministérios e outras regiões sem energia por cerca de 10 minutos.
 
Não chove em Brasília há 112 dias. Os especialistas do Inmet, no entanto, consideram normal o período de estiagem. “Não temos conhecimento de qualquer fenômeno atípico”, afirmou Maria das Dores de Azevedo, meteorologista do órgão. Os cálculos do Inmet para o possível início das precipitações atmosféricas baseiam-se em um dado chamado de prognóstico climático. A estatística leva em conta o primeiro dia de chuva depois da seca nos últimos 30 anos. A média revela que, normalmente, as nuvens carregadas surgem na segunda quinzena de setembro.
 
O Inmet estuda ainda as possíveis mudanças nos céus para as próximas 96 horas — 4 dias. É aí que a avaliação acaba com as esperanças de um fim de semana mais ameno para os candangos. A ClimaTempo, empresa privada de meteorologia, joga para ainda mais longe as expectativas. Segundo especialistas da entidade, a primeira chuva chegará à capital do país somente no próximo dia 29. “Há a hipótese de que uma frente fria avance pelo Sudeste e o Centro-Oeste favorecendo a formação de nuvens carregadas”, revelou o meteorologista André Madeira.
 
Perigo

A Defesa Civil emitiu ontem um aviso especial com declaração de estado de atenção para o Distrito Federal. O comunicado contém conselhos para que os brasilienses evitem problemas decorrentes do período de seca. O órgão pede que sejam descartadas atividades ao ar livre e de exposição ao sol entre 10h e 17h, principalmente entre 14h e 16h, período em que a umidade relativa do ar atinge os menores índices. Além disso, o documento ressalta a importância de ingestão de água e de outros líquidos em abundância e o uso de vaporizadores e toalhas molhadas nos ambientes.
 
Os cuidados com a saúde e as formas de driblar a secura fazem parte da rotina da população do DF. O morador do P Sul Miguel do Carmo, 38 anos, toma o máximo de banho que o tempo lhe permite. “Por mim, eu ficava de molho o dia inteiro no Lago Paranoá”, brincou. A baixa umidade também prejudica Débora do Carmo, 3 anos, filha de Miguel. Segundo ele, a garota sofre de rinite alérgica e os problemas respiratórios aumentam nesta época do ano. “Faço questão de sempre dar água a ela. Saúde é coisa séria e as crianças sofrem muito as consequências do clima de Brasília”, alertou o pai.
 
A grande diferença entre as temperaturas diurnas e noturnas é outro fator que castiga o brasiliense. Com a voz rouca, Valmira Ferreira, 26 anos, vai começar hoje no novo emprego de assistente em uma faculdade particular. Está preocupada porque irá assumir o cargo com os sintomas de gripe. “Tem hora que está calor, na outra está frio. Acabamos ficando em uma espécie constante gripe”, reclamou. Para ela, 2010 está mais quente do que os demais anos.